Alvo de ações trabalhistas, Uber se une a Doria contra a greve geral

A empresa norte-americana, que segundo a Justiça trabalhista viola direitos no Brasil, apoia a iniciativa do prefeito tucano para contornar a paralisação
João Doria 
Carta Capital - Empresário, o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), é contrário à greve geral convocada para a sexta-feira 28 por todas as centrais sindicais. O tucano acredita que a reforma da Previdência "não afeta ninguém” e que a trabalhista muda uma “legislação arcaica que prejudica a todos”. Ambas as propostas, bandeiras do governo Temer, que aposta nelas para manter o apoio dos agentes econômicos e da grande imprensa, são alvo do protesto de sexta-feira.
 
Na campanha contra a manifestação, Doria fez uma convocação aos funcionários públicos da Prefeitura de São Paulo. Em vídeo divulgado pelas redes sociais, disse que "dia 28 é dia de trabalho" e que "só não trabalha quem não quer". Segundo ele, a maneira correta de protestar é depois do expediente ou aos fins de semana. Assim, prometeu Doria, ele vai cortar o ponto de quem faltar na sexta-feira – uma decisão que provavelmente será questionada na Justiça se for mesmo levada a cabo.
 
Para garantir a efetividade de sua estratégia contra as manifestações, que pedem a proteção aos direitos dos trabalhadores, Doria ganhou um aliado de peso – a Uber, empresa norte-americana que responde a diversos processos no Brasil por violação de direitos trabalhistas. Neste ano, em Belo Horizonte e em São Paulo, a Justiça Trabalhista reconheceu vínculo entre os motoristas que aderiram ao serviço e a companhia. A Uber questiona as decisões.
 
No fim da gravação direcionada aos servidores, Doria promete fornecer corridas gratuitas em aplicativos de transporte para aqueles que tiverem dificuldade de chegar aos locais de trabalho. "Você que é servidor público vai receber uma mensagem até amanhã, indicando o serviço de aplicativo que você vai poder utilizar gratuitamente".
 
 O dinheiro, diz Doria, não sairá dos cofres da prefeitura, mas de mais uma das diversas doações que recebe de empresas privadas. Além da Uber, vai contribuir com a campanha a brasileira 99Taxis, que tem diversos módulos de serviço, inclusive um semelhante ao da Uber. As duas companhias vão reembolsar os motoristas que prestarem serviço aos funcionários públicos municipais.
 
A decisão de Doria provocou a indignação do vereador Adilson Amadeu (PTB), ligado aos taxistas, que ameaça deixar a base de apoio ao prefeito tucano. "A Uber é uma empresa que atua na cidade sempre por meio de liminar. Como ele [Doria] fecha um acordo de doação com essas empresas desse jeito?", disse Amadeu ao jornal Folha de S.Paulo. "Além do mais, ele vai abrir o cadastro dos mais de 100 mil servidores para a Uber? Como se dará esse reembolso, de que maneira? Ele não explica", afirmou.

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