Aliado de Temer diz: ’ele deu calote nos deputados e vai cair por isso’

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A flecha de Janot será grossa ou fina? Disso também vai depender o resultado da apreciação da segunda denúncia contra Temer pela Câmara. Muitos deputados estão insatisfeitos com o governo pelo descumprimento de promessas feitas para a rejeição da primeira denúncia. 


Janot se enfraqueceu com a crise da delação da JBS mas saiu fortalecido ontem, com a derrota de Temer no Supremo, na arguição de sua suspeição. Se o novo libelo acusatório for consistente, desta vez a denúncia tem chances de ser acolhida. Se a votação fosse ontem, o governo já não teria os 263 votos obtidos em 2 de agosto. 

Esta a era conversa que animava as rodas de deputados na noite de ontem, no plenário, no café e no fumódromo, enquanto se arrastava o esforço para a aprovação de uma reforma eleitoral baseada na adoção do voto distritão misto e do fundo eleitoral.

A denúncia de Janot deve ser apresentada de hoje para amanhã. Na prática, ele foi liberado pelo STF a fazê-lo, na medida em que o plenário, depois de rejeitar o pedido de sua suspeição apresentado pela defesa de Temer, adiou para quarta-feira próxima a decisão sobre o segundo pedido de Temer. O de que o STF imponha uma “suspensão prévia” de qualquer denúncia contra Temer, até que haja uma decisão sobre a validade das provas colhidas no âmbito da delação da JBS. 


E isso depende da conclusão das investigações sobre as negociações do acordo e a participação que nelas teve o ex-procurador Marcello Miller. Janot apresentará a denúncia e passará o cargo a Raquel Dodge na segunda-feira, 18. A peça será recebida pelo STF mas só depois da quarta-feira será tomada, possivelmente pelo relator da Lava Jato, ministro Luiz Fachin, a decisão de enviá-la ou não à Câmara. Se houver o acolhimento do pedido de “suspensão prévia”, ela ficará retida no Supremo. O mais provável, entretanto, é que o Supremo imponha nova derrota a Temer, rejeitando este pedido de “suspensão prévia”. Fachin estará então liberado para enviar a denúncia à Câmara.

E aí, começará tudo de novo mas agora em outras condições. Foi de um deputado da base governista que ouvi a seguinte avaliação: a insatisfação agora é grande, não pagaram o que prometeram e agora já não têm espaço fiscal para fazer novas promessas.

De um tucano, ouvi que a bancada continua dividida mas que pode ter crescido o número dos que estão dispostos a votar pelo acolhimento da denúncia. Em dois de agosto, 22 votaram com Temer, e 21 contra.


Mas para que a licença seja concedida, Temer seja processado e em decorrência afastado do cargo, diz outro governista aborrecido, a flecha de Janot precisa ser grossa e rombuda.

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