As malas de dinheiro são o melhor retrato do governo que os paneleiros deram ao Brasil


Por Joaquim de Carvalho - A revelação bunker de Geddel Vieira Lima com mais de 51 milhões é o retrato da quadrilha que os paneleiros colocaram no poder.


Simples assim: entregaram o orçamento da Republica a quem costuma guardar ou carregar malas e malas de dinheiro.


A turma que vestiu camisa amarela e foi para a rua protestar não se rende fácil — “existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia”, disse o genial Nélson Rodrigues.

Foi só mostrar a foto que melhor define a quadrilha para alguns reagirem: mas Geddel foi também ministro de Lula. Um tempão.

Sim, ele foi ministro de Lula e vice-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Dilma, como foi líder do governo de Fernando Henrique Cardoso e era um dos anões do orçamento no governo de Fernando Collor e de Itamar Franco.

Em outras palavras: ele e sua turma sempre estiveram por aí e fazendo a mesma coisa: roubando.


E conseguem fazer isso porque controlam um partido que domina o Congresso, daí a força de Michel Temer.

Fernando Henrique Cardoso registra em seus Diários da Presidência como foi emparedado em 1997 e teve que entregar dois ministérios ao PMDB:

“O PMDB entrou no nível de chantagem (…) Michel Temer um pouco atordoado, mas também participando, parece que ele quer nomear esse rapaz, Padilha, por quem tenho simpatia, mas parece está havendo aí um lobby muito forte, e isso já torna a nomeação mais perigosa”, disse Fernando Henrique Cardoso.

Fernando Henrique cedeu à pressão e nomeou Eliseu Padilha para o Ministério dos Transportes, exatamente como Geddel Vieira Lima, então líder do PMDB, havia anunciado aos jornais, antes mesmo da decisão do presidente da República.

O que aconteceu em 2016, com a ajuda decisiva de quem foi para a rua protestar contra a corrupção, é que os ladrões dos cofres públicos deixaram de ser coadjuvantes dos governos, passaram a ser os atores principais.

Em agosto de 2015, enquanto brasileiros faziam a dancinha do impeachment, Geddel estava lá, com sua camisa de tom amarelo, entrevistado sobre o que pretendia como protestos:


— Por que o senhor está aqui? — pergunta o repórter.

— Ninguém aguenta mais tanto roubo, isso é roubo, é assalto aos cofres públicos, para enriquecer os petistas.

Na avenida, ao mesmo tempo em que Geddel cerrava os pulsos e levantava os braços, num gesto de força e de vitória, outros se exibiam na dancinha do impeachment:

“Seja patriota/Vem lutar por sua nação/Patriota verdadeiro/Vem pra manifestação. Veste verde e amarelo/Com determinação/Pra livrar nosso país/Dessa corrupção/Grita forte brasileiro/Ê, ê/ Fora Dilma/Fora PT”.

Hoje, as malas de dinheiro de quem recebeu o governo das mãos desses “patriotas” aparecem em rede nacional e não se ouve nem um ruído de desaprovação.

Bater panela não era contra a corrupção, era por ódio, vingança, inconformismo com a derrota eleitoral de 2014.

A conta da farsa será alta e todos pagaremos por ela.

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