MBL fará ato a favor de dono da Riachuelo acusado de trabalho semi escravo


Da Carta Capital: O Movimento Brasil Livre, que apoia a candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), para a Presidência da República, se mobilizou nesta semana em favor do empresário Flavio Rocha, envolvido em uma disputa com o Ministério Público do Trabalho (MPT) no Rio Grande do Norte. Dono da Riachuelo, gigante do setor têxtil, Rocha também apoia a candidatura de Doria ao Palácio do Planalto. Em agosto, lançou a si próprio para compor a chapa do tucano como vice-presidente.


“A indústria têxtil do Rio Grande do Norte está sob ataque do Ministério Público do Trabalho simplesmente porque decidiu decentralizar sua produção, pulverizar, em diversas fábricas no interior do Estado”, diz Kim Kataguiri, líder do MBL, em um vídeo publicado no Facebook na quarta-feira 20.

Sem citar a terceirização da produção têxtil de diversas marcas, Kataguiri convocou os militantes do grupo para um ato contra o MPT em Natal, na quinta-feira 21. Segundo ele, a consequência da ação do MPT será mais desemprego. “O Brasil precisa de emprego e não de mais burocracia levada em frente por uma casta privilegiada de promotores“.

O protesto ao qual o MBL se uniu foi convocado na terça-feira 19 pelo próprio Flavio Rocha, em uma publicação feita em sua conta no Instagram. “A nossa turma está animada. Todos se preparando para a grande manifestação de quinta-feira em frente à suntuosa sede do Ministério Público do Trabalho”, afirmou. A “turma” seriam os funcionário da companhia, chamados de “missionários da democratização da moda”.


A aproximação entre dois aliados de Doria, o MBL e Rocha, ocorre em momento no qual o prefeito de São Paulo tenta viabilizar seu nome ao Planalto e o Brasil Livre tenta diversificar sua pauta para além do antipetismo.

Em março, o MBL confirmou que defende a candidatura do prefeito tucano. Desde então, a mobilização em torno de seu nome é crescente, e integrantes do movimento têm participado de agendas públicas de Doria. Em de julho, militantes do MBL pintaram de branco um muro da mansão de Doria no Jardim Europa, em São Paulo. O local havia sido pichado com a inscrição ”SP não está à venda” por integrantes do Levante Popular da Juventude. Em agosto, o prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias, coordenador da campanha de Doria em 2016, se filiou ao MBL.

A mobilização também é virtual. Na terça-feira 18, o blog do jornalista José Robero Toledo no site do jornal O Estado de S.Paulo mostrou que “no universo de publicações com a palavra ‘Doria’ no Facebook ao longo de 2017, o MBL foi, de longe, o maior responsável por comentários, likes e compartilhamentos: 8 milhões de interações – quase o dobro das provocadas pela página oficial do próprio João Doria”.


Rocha também apoia Doria. No início do ano, o Partido Novo chegou a cogitar o nome do dono da Riachuelo para o Planalto, mas ele desconversou. Em 19 de agosto, o empresário divulgou no Instagram uma foto ao lado do prefeito paulistano em evento em Natal e se colocou como vice na chapa. “Foi lançada também a candidatura de Doria para presidente do Brasil e Rocha, vice”, escreveu. Cerca de uma hora depois, a postagem foi apagada.

MPT x Riachuelo

Os protestos convocados pelo dono da Riachuelo têm como motivação uma ação civil pública aberta pelo MPT contra a Guararapes Confecções, controladora da Riachuelo. O MPT pede a responsabilização da companhia quanto aos direitos trabalhistas dos empregados das “facções”, as pequenas confecções terceirizadas espalhadas pelo Seridó, no semiárido do Rio Grande do Norte, e uma indenização por danos morais coletivos no valor de 37,7 milhões de reais.

A base da ação do MPT são inspeções em 50 facções de 12 municípios, além de entrevistas com os trabalhadores, fotos, vídeos e laudos periciais. “Os empregados das facções recebem menor remuneração e têm menos direitos trabalhistas do que os empregados contratados diretamente pela Guararapes, inclusive quanto à saúde e segurança do trabalho”, afirmou o MPT em nota.


“Na inspeção, foram ouvidos trabalhadores e faccionistas, que relataram as dificuldades financeiras pelas quais vêm passando para pagar salários, 13º e férias, pois o preço da costura das peças, fixado pela Guararapes (atualmente R$ 0,35 o minuto), não é suficiente para cobrir os custos operacionais”, dizem os procuradores. Ainda segundo o MPT, a Guararapes “não garante o envio regular de peças para as facções”, o que contribui para o fechamento de facções.

Flavio Rocha afirma que a Guararapes é vítima de uma perseguição. Em diversas postagens no Facebook e no Instagram, citou especificamente uma procuradora, Ileana Neiva Mousinho, que agiria movida por “ódio” e teria causado o “mal”. “Desde que a senhora começou a nos perseguir a nossa empresa cresceu muito, mas o RN, para nossa tristeza, pouco tem se beneficiado desse sucesso”, afirmou o dono da Riachuelo. “Ao nos expulsar do nosso próprio estado, a senhora nos obrigou a construir novas fábricas em outros estados e países que nos recebem com o respeito que merece quem cria empregos e riquezas”.

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