Em entrevista a Globo, Moro diz não ver problema em sua relação com Aécio Neves

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Mas esclarecer temas espinhosos como este passou longe na entrevista anunciada com estardalhaço pela Globonews. 


Há outras furos: a foto de Moro com Aécio Neves. O juiz se saiu bem na resposta que deu, sem confrontação. “Não há nada contra o senador tramitando na jurisdição de Curitiba, já que ele tem foro privilegiado”. Mentira. Desde os depoimentos do Alberto Youssef, em 2014, sabe-se que Andrea Neves, irmã de Aécio, operava para o irmão no caixa 2 gerado pela estatal Furnas. Aécio tem foro privilegiado, mas Andrea não, e ela nunca foi chamada ou investigada na jurisdição de Curitiba.

No caso da foto, a pergunta era outra: ao aceitar a homenagem da revista Istoé — uma publicação sobre a qual recai suspeita fortíssima de vender matéria, inclusive para Aécio —, Moro estava no lugar errado, na hora errada e com as companhias erradas. Isso é que teria de ser questionado.

O Código de Ética da Magistratura recomenda uma vida social mais contida da parte dos juízes. Este é também um problema menor diante de outros vazios que restaram da entrevista de Moro: as ilegalidades da Lava Jato, a começar pela sua origem.


Moro tinha competência territorial para tocar um processo que diz respeito a uma empresa com sede no Rio de Janeiro? Teria usurpado competência do Supremo Tribunal Federal, ao investigar deputado federal? Por que permitiu escutas clandestinas? Por que vazou conversas telefônicas da então presidente Dilma Rousseff? Por que não mandou Youssef de volta para a cadeia quando soube que ele não cumpria o acordo de delação premiada, o primeiro, em 2004? Por que grampeou um escritório de advocacia? Por que aceitou denúncia anônima?

Estes são alguns dos exemplos.

Mas Moro é contra o vale tudo na Justiça. Pelo menos nos processos que atingem o PSDB. O que ele disse quando o repórter perguntou o que achava da anulação da operação Castelo de Areia, por trabalhar com provas ilícitas:

— Os agentes envolvidos na aplicação da lei não podem, a pretexto de cumpri-la, violá-la.

Com informações de Joaquim de Carvalho

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