Enquanto corta do povo, Temer aumenta verba para mídia aliada em até 3000%


Por Sergio Lirio — publicado 28/10/2016 Carta Capital


Reconcentração de verbas publicitárias na mídia tradicional, perseguição às vozes dissonantes, desmonte da tevê pública… Temer paga a conta

“Uma luz no fim do túnel”, decreta o editorial de O Estado de S. Paulo da terça-feira 11, dia seguinte à aprovação na Câmara dos Deputados da emenda constitucional quelimita os gastos em saúde e educação.

“Piso para o futuro”, proclamava o editorial daFolha de S.Paulo do dia anterior, em defesa da mesma emenda.
“Pós-impeachment destrava negócios e atrai estrangeiros”, comemora a manchete da sexta-feira 14 doValor Econômico.

“Gasolina deve cair mais e ajudar na redução de juros”, prevê O Globo em sua manchete do sábado 15.

O esforço dos meios de comunicação tradicionais para emular um ambiente positivo na política e na economia é perceptível a olhos nus, basta trafegar pelas páginas de jornais ou dedicar algum tempo ao noticiário na tevê e no rádio.


É possível, no entanto, demonstrá-lo de maneira mais cabal. Um levantamento do site Manchetômetro, sistema de monitoramento das notícias publicadas nos principais diários do Brasil gerenciado pelo Laboratório de Mídia e Esfera Pública, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, transformou em gráfico a inflexão da cobertura dos temas econômicos após o impeachment de Dilma Rousseff


Conforme se vê à página 23, as menções negativas despencaram a partir de abril deste ano, após atingir picos entre agosto de 2015 e fevereiro último, auge da campanha em favor da deposição da presidenta eleita.

Outros dois gráficos complementam a interpretação do comportamento da mídia: predominam no caso de Michel Temer as citações interpretadas pelo laboratório como neutras, enquanto no caso de Dilma Rousseff as referências negativas superam em muito aquelas positivas ou neutras. Da mesma forma, o pico acontece no período mais intenso da operação para removê-la da Presidência da República.

(…)

E outra reportagem mostrando um aumento de até 3000% para a Revista Istoé, opositora radical ao PT e a Lula e uma aliada a Michel Temer e suas reformas.


Via O Cafezinho

Os quatro grandes canais de TV aberta, Globo, Record, SBT e Band receberam, nos sete primeiros meses de 2017, um valor correspondente a 67% de toda a verba federal de publicidade. A parte do leão ficou com a Globo, com 46%. A Record veio em segundo, com 11%.





As verbas para Record e SBT cresceram muito esse ano. Já para a Band, caíram. Em 2016, porém, a Band recebeu um bom volume de recursos, quase 30% a mais do que em 2015, de maneira que o repasse de recursos para a Band pode estar apenas atrasado.

No post anterior, a gente observou que as verbas de publicidade para a Globo cresceram 170% em jan/jun deste ano, na comparação com 2015.

Se olharmos para julho, porém, este aumento ainda maior: em jan/jul de 2017, cresceram quase 190% sobre igual período de 2015 (ou seja, antes do golpe).

Os aumentos sobre 2016 também foram muito fortes. A crise fiscal, definitivamente, não chegou na imprensa chapa-branca.

O Estadão é coerente quando se agarra às calças de Michel Temer. A publicidade federal veiculada no jornal cresceu 150% nos primeiros sete meses de 2017, na comparação com igual período de 2016. Se compararmos com 2015, o aumento foi de quase 6 mil por cento.

A Folha recebeu, nos sete primeiros meses deste ano, um total de R$ 886 mil, 27% a mais do que em igual período do ano anterior e 111% a mais do que em 2015. Também participa do trem da alegria.

Quem está feliz é a Istoé, que recebeu, nos sete primeiros meses deste ano, mais de 20% de tudo que já recebeu de 2011 a 2017.

Leia também: Aumentos e perdões de dívidas que desafiam a lógica da crise no Brasil

A publicidade da editora Abril, responsável pela revista Veja, cresceu 478% este ano, na comparação com 2016.

Os valores referem-se apenas aos gastos da presidência e dos ministérios, mas serve de parâmetro para sabermos o total recebido por cada veículo. Se forem contabilizadas as estatais, esses valores devem se multiplicar por três ou quatro.

O governo Temer é generoso e leal com os seus. A verba pública é usada, sem pudor, para ajudar os amigos.

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