O fiasco bancado com dinheiro público da turnê de Bolsonaro por churrascarias dos EUA

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Por Kiko Nogueira - O cancelamento do único evento público de Jair Bolsonaro em sua turnê nos EUA foi a tampa no caixão do fiasco de seu tour.


Sua equipe telefonou em cima da hora para os organizadores avisando que o chefe não compareceria à palestra na George Washington University.

Ficou com medo. “Bolsonaro mostrou que não está pronto para um debate democrático, aberto ao público, e a um público misturado, formado por simpatizantes, mas também críticos e curiosos”, disse o professor Mark Langevin à BBC Brasil.

“Nós estávamos extremamente comprometidos com o debate e tínhamos apoio do reitor, que também participaria”.

Langevin também reclamou do abaixo assinado contra a presença de JB na instituição feito por professores, estudantes e pesquisadores.

“Os manifestantes não entendiam que na democracia é preciso diálogo”. Langevin é bem intencionado, mas um tolo.


Que tipo de interlocução é possível com um homem que não propõe isso? Que conversa é possível com alguém que defende a tortura, a homofobia, o racismo e o estupro? Qual o campo de interseção com um fascista?

Por que repetir o vexame da Hebraica, que desonrou a memória de judeus mortos no Holocausto dando microfone para um sujeito enxovalhar negros dos quilombos?

Bolsonaro ficou restrito a churrascarias. Ele é uma versão dos artistas de MPB que vão a Miami, enchem bares vagabundos de imigrantes saudosos da pátria e voltam vendendo que fizeram sucesso no exterior.

Seus compromissos vêm sendo mantidos em segredo, diz a Folha.

Em Nova York, um encontro com investidores da corretora XP Investimentos também não ocorreu. Noves fora a truculência, ele não tem o que oferecer no terreno das propostas.

“Eu entendo muito pouco de economia”, admitiu numa entrevista constrangedora com seu seguidor Danilo Gentili. Seu negócio é apelar para os baixos instintos. “Vou dar carta branca pro policial matar”, declarou num estande de tiro uma semana após o massacre em Las Vegas.


A definição mais precisa do rolê de Bolsie é de Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Wilson Center, em artigo no Financial Times.

O objetivo, escreveu Sotero, é “normalizar o senhor Bolsonaro como apoiador da economia liberal e um homem aberto ao diálogo”.

Esse o ponto: ao aceitar um bolsonaro para a mesa, você o está legitimando. A mídia legitima Bolsonaro. Ele será a estrela de um evento da Veja com presidenciáveis.

Gilberto Maringoni escreveu sobre Alberto de Souza (1908-92), herói anônimo da Batalha da Praça da Sé, quando comunistas e democratas colocaram para correr quase 4 mil integralistas em 1934. O episódio ficou conhecido como Revoada dos Galinhas Verdes.

“Com fascistas não se conversa”, repetia Alberto. Bolsonaro é uma galinha verde que foi encontrar outras de sua espécie nos Estados Unidos. Com dinheiro público.

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