Quanto tempo até um extremista do MBL repetir no Brasil um ataque como o de Las Vegas?


Por Kiko Nogueira - Stephen Paddock, o americano de 64 anos apontado como autor do massacre em Las Vegas que deixou mais de 50 mortos e pelo menos 400 feridos, tinha licença datada de 2010 para caçar e pescar no estado do Alasca, o que lhe dava permissão para comprar armas legalmente. 


Quando a polícia entrou no quarto do hotel de onde ele efetuou os disparos, encontrou seu corpo e mais de 10 armas diferentes, incluindo fuzis automáticos.

Embora o Estado Islâmico tenha reivindicado o ataque, o FBI não confirma. Muitos detalhes da investigação ainda virão à tona.

Por enquanto, Paddock era mais um psicopata que ganhava armas de presente de aniversário numa sociedade doente — o sonho do MBL, ponta de lança da extrema direita brasileira.

O ambiente de ódio em que estamos metidos permite ver a tragédia rondando a cada esquina. Com total liberalidade, pessoas caluniam, ameaçam e agridem.


E se os milicianos que invadem exposições de arte puderem fazer isso com uma AK 47? E se o Frota estiver com uma pistola?

Em 2015, Kim Kataguiri posou com uma arma de pressão. Escreveu no Facebook: “Enquanto não cai o Estatuto [do Desarmamento], o jeito é ficar no airsoft”.

O clima de ódio insuflado por esse pessoal nos torna o lugar ideal para o bangue bangue licenciado.

Perdeu-se o decoro e a autocensura. Jair Bolsonaro disse, numa entrevista à TV mineira, que “tem que fuzilar os autores” da Queermuseu.

A lista de candidatos ao fuzilamento é grande e inclui você e qualquer um que ande e fale como um “esquerdopata”. Não precisa ser petralha ou psolista ou comunista. Pode ser gay, feminista, vegetariano, abortista, artista plástico.

Depois da chacina em Charleston, Obama declarou que se recusava “a agir como se esse fosse o novo normal”. O Brasil faz o oposto. O nosso novo normal já está instaurado. Falta ficar mais normal.

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