Veja como o Exército detonou Bolsonaro e seus planos políticos na década de 90


247 – Apresentando-se hoje ao eleitor como um defensor dos ideais das Forças Armadas, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tinha uma imagem muito diferente no alto escalão do Exército nos anos 1990.


Um prontuário secreto de 54 páginas produzido pelo CIE (Centro de Informações do Exército) todo dedicado a Bolsonaro diz que ele fazia “exploração político-ideológica” da questão salarial entre os militares, não tinha “representatividade ou delegação” para falar em nome deles, atuava de forma “eleitoreira” nos quartéis e acusava de forma “descabida” oficiais superiores e autoridades.

O documento revela que Bolsonaro chegou a ser proibido, em abril de 1990, de ter acesso “às organizações militares da área”, provável referência ao Rio de Janeiro.

Sua insistência em falar sobre reajustes salariais incomodava o comando do Exército porque desacreditava os canais oficiais das próprias Forças Armadas, pelos quais a tropa deveria encaminhar reivindicações dessa natureza.

O prontuário do CIE, o mais alto órgão da inteligência do Exército, que se soma a outras 54 páginas sobre Bolsonaro consultadas pela Folha no Arquivo Nacional de Brasília, foi produzido em julho de 1990, durante o governo Fernando Collor (1990-1992), e encaminhado ao general Jonas de Morais Correia Neto (1925-2015), então ministro-chefe do Emfa (Estado Maior das Forças Armadas).


O serviço de inteligência do Exército detectou que as investidas de Bolsonaro sobre a tropa tinham, curiosamente, a simpatia do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e do PC do B (Partido Comunista do Brasil).

Em setembro de 1986, após Bolsonaro ter escrito um artigo na revista “Veja” para defender aumento salarial, o Cisa (Centro de Informações da Aeronáutica) afirmou em documento confidencial que os dois partidos comunistas “emitiram instruções no sentido de que seus militantes explorassem ao máximo o descontentamento salarial dos militares criado a partir da entrevista do capitão Jair Messias Bolsonaro”.

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