Crise? Temer aumenta em 50% verbas para Globo e redes sociais


Miguel do Rosário, no blog O cafezinho - O golpismo compensa no Brasil.


Austeridade fiscal vale só para saúde, educação, pesquisa e infra-estrutura.
Quando se trata da Globo, Veja, Facebook, Folha, Estadão, Istoé, o governo federal é o mais generoso do mundo.

Segundo números atualizados da Secom, compilados com exclusividade pelo Cafezinho, os recursos de publicidade federal destinados à TV Globo cresceram 55% nos dez primeiros meses de 2017, na comparação com o mesmo período de 2015.

Comparei 2017 com 2015 para medir com mais clareza a mudança no período anterior e posterior ao golpe.

Em 2015, a TV Globo detinha um percentual de 42% das verbas federais destinadas a veículos de TV, o que já era uma concentração bizarra.


Em 2017, a fatia da Globo ficou em 51,27%.

A Veja também se deu bem no governo Temer: em 2017, ficou com 43% de toda verba destinada às revistas.

Os jornalões viram suas verbas de publicidade federal crescerem dramaticamente depois do golpe.

O Estadão recebeu, nos dez primeiros meses de 2017, um total de R$ 1,2 milhão, um crescimento de 677% sobre igual período de 2015.

No total, os veículos do grupo Globo receberam R$ 46 milhões do governo federal em Jan/Out de 2017, aumento de 50% sobre 2015.

É importante lembrar que estes valores, além de correspondem a 10 meses, são relativos apenas aos gastos do governo federal e ministérios. Se somarmos as despesas das estatais com publicidade, este número costuma se multiplicar por três.


Curiosamente, a imprensa tradicional nunca mais fez reportagens sobre as despesas do governo com mídia.

Ministério Público e Judiciário aceitam na boa esse evidente sequestro da vontade popular, onde um governo com aprovação de 3% despeja cada vez mais dinheiro exclusivamente em órgãos de informação que apoiam as reformas defendidas pelo mesmo governo.

Os recursos da Secom para EBC foram reduzidos em 74%.

O Facebook, tão prestativo em censurar páginas políticas de esquerda, já está mordendo 36% de toda a verba federal destinada à internet.

Em 2015, antes do golpe, a fatia do Facebook no total das verbas federais para internet era de 23%.

O aumento de verbas federais para o Facebook, depois do golpe, foi de 53%.

A principal executiva do Facebook no Brasil, a senhora Cláudia Gurfinkel, justificou a censura às páginas políticas dizendo que o “principal incentivo deles é econômico”…

Bem, a sede do Facebook pelos impostos do contribuinte brasileiro nos faz pensar que a corporação norte-americana não é exatamente um modelo de abnegação.

Outro argumento de Gurfinkel para censurar as páginas políticas é que elas teriam “muitos anúncios”. Bem, quando se tem generosas publicidades federais, pode-se, obviamente, reduzir o número desses anúncios programáticos que somos obrigados a inserir.


Carmen Lúcia, presidenta do STF, precisa atualizar aquela frase sobre a vitória do escárnio sobre o cinismo. Dou uma sugestão: a falsidade, a hipocrisia, venceram o escárnio.



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