“Decepcionado” com Aécio, Huck aceitou feliz quando o amigo lhe emprestou o avião do governo de MG


Por Kiko Nogueira - O caso do “rompimento” da amizade entre Luciano Huck e Aécio Neves é ilustrativo da miséria humana.


Em evento da Veja patrocinado por uma refinaria que deve bilhões em impostos, mais suja que pau de galinheiro, o apresentador e ex-candidato falou do senador.

“Levante a mão aqui quem na vida nunca se decepcionou com um amigo. Óbvio que eu me decepcionei”, afirmou.

“A gente nunca discutiu política, um não entrava na seara do outro, mas eu fiquei decepcionado, claro”.

Contou que não fala mais com Aécio: “Eu apanhei por causa de um erro que não cometi. Fiquei chateado. Eu tomei muita porrada por causa dele também”.

Aécio foi denunciado ao STF por corrupção passiva e obstrução à Justiça por fatos narrados na delação da JBS — mas todo o mundo mineral, como diria Mino Carta, sabia que era corrupto (o leitor do DCM não se surpreendeu com nada, certo?).


Huck é cínico a ponto de alegar que os dois nunca discutiram política. Sua presença no apartamento de Andrea Neves na noite em que o mineiro ficou sabendo que tinha sido derrotado em 2014 era em torno do quê? Bocha?

Huck se beneficiou largamente do relacionamento com Aécio Neves enquanto lhe foi útil, inclusive nos esquemas de mordomia bancados com dinheiro público.

Para ficar apenas em um exemplo, em 2004 ele utilizou aeronaves do governo de Minas Gerais para viajar pelo interior do estado.

Estava gravando um quadro de seu Caldeirão com a dupla Sandy e Junior.

Huck, Sandy e Junior em MG às custas do contribuinte

O programa mostrava os três percorrendo a Estrada Real, que Aécio promovia como grande atração turística do estado.


“O trio visitou locais históricos como os municípios de Ouro Preto e Santa Bárbara. Eles conheceram também paisagens exuberantes, como o Parque Natural do Caraça, e proporcionaram ao público cenas inusitadas como Sandy lavando louça e Junior montando em um jumento”, relata o site oficial da atração.

É evidente que o avião e o helicóptero não foram a única mamata proporcionada por Aécio na ocasião — e nem aquela foi a única vez em que o tucano quebrou um galho para Huck no usufruto do cargo.

Huck não viu nenhum problema em se beneficiar da grana do contribuinte mineiro. 

A dupla já compartilhou de tudo em décadas de intimidade. Alexandre Accioly, investigado na Lava Jato, é padrinho de um dos filho de Aécio e sócio de Huck em diversos empreendimentos. Vamos parar em Accioly.

Eles sabem demais uns dos outros. A razão para Huck pular fora de 2018 é que seus negócios com esse bando viriam, inevitavelmente, à luz. Aécio daria uma mão para isso acontecer.

Ao vazar agora, ele pode se fingir de “traído”. Palhaçadas como a de apagar as fotos do Instagram só acrescentam mesquinharia à sua biografia, e não grandeza.

Aécio não vale nada. Mas Luciano Huck, moralmente, consegue ser mais abjeto. 

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