Mídia diz que professores “ganham bem” no Brasil e tem “privilégios” demais


Primeiro foi o Estadão, que aderiu a pacto pelo fim da gratuidade no ensino superior. Agora é a vez do blog Gazeta do Povo, de Curitiba, dar azo à falsa ideia de que os professores “têm salários adequados” e benefícios acima da média.


Ambos os veículos, Gazeta e Estadão, utilizam relatório do Banco Mundial para reverberarem o que pensam sobre a educação pública, que, na opinião deles, deve ser privatizada e não universal. Não têm coragem de defender abertamente a bandeira, por isso utilizam a boca do inferno de uma instituição estrangeira quando, na verdade, deveriam dizer aos berros “FORA BANCO MUNDIAL! NÃO ACEITAMOS SUA INGERÊNCIA EM QUESTÕES INTERNAS!” Mas é exigir muito.

Tomemos o exemplo da tese que voltou à tona ontem, conforme registro aqui neste Blog do Esmael. O governo Michel Temer pretende economizar R$ 13 bilhões com o fim da gratuidade no ensino superior, mas faz uma falcatrua que beneficia em R$ 1 trilhão a Shell na área do petróleo.

Peguemos o caso do Paraná, onde Beto Richa (PSDB) tirou os educadores como inimigos número 1. O governo tucano autorizou o pagamento de auxílio-moradia de R$ 4,7 mil/mês à magistratura em 2015, mas, ao mesmo tempo, pretendeu tirar o vale-transporte de professores e funcionários da educação básica. Nem entremos no mérito dos calotes em reajustes e suspensão de avanços e promoções para o funcionalismo público em geral.


Quanto ao blog da Gazeta do Povo, não é de se estranhar. Em 2015, no auge da histórica greve na educação paranaense, não titubeou em ficar do lado do anunciante. Aliás, se falta dinheiro para educação, não falta verba para a propaganda. Só neste ano, são mais de R$ 120 milhões. Nos últimos quatro anos, segundo cálculos conservadores do deputado Tadeu Veneri (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, a farra publicitária de Beto Richa ultrapassa R$ 1 bilhão.

Que fique bem claro: os estudantes e os professores não são os vilões do nefasto modelo econômico neoliberal dos governos Temer e Richa; a educação não pode ser o bode expiatório da crise criada pelo golpe de Estado nem regredir 30 anos como propõem os dois.

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