Da cadeia, Cunha indica seu aliado para Ministério no governo Temer


Os Divergentes - Tem festa hoje numa cela lá de Curitiba. O deputado Carlos Marun, o único escudeiro que no final do ano passado foi levar boas festas a Eduardo Cunha na cadeia, assume na semana que vem Articulação Política do governo. É o reencontro do PMDB de Cunha consigo mesmo, do presidente Michel Temer com suas origens, o grupo do partido na Câmara, hoje alvo de dezenas de investigações e processos.


Marun não assume o cargo apenas em retribuição aos serviços prestados, notadamente na tropa de choque que livrou Temer das duas denúncias na Câmara e, agora, na frente de ataque da CPI da JBS. Além de tratar da reforma da Previdência, ele vai substituir o elegante Antônio Imbassahy para cumprir uma missão específica: articular a aprovação de uma legislação destinada a desmontar uma série de instrumentos que permitiram à Lava Jato avançar sobre os políticos.

Sai de cena o bom-mocismo dos tucanos e entra o estilo jogo pesado e cara de pau necessário à tarefa que o Planalto e aliados têm pela frente. Por exemplo, aprovar mudanças no instituto da delação premiada, proibindo que ela seja feita por acusados presos, além de ressuscitar a velha ideia de anistiar os crimes relacionados ao caixa 2, restringir a prisão preventiva e, até o fim do governo, dar um jeito de manter o foro privilegiado para ex-presidentes da República.


Marun representa também, ao mesmo tempo, a hegemonia peemedebista no Planalto e o fortalecimento da aliança com o Centrão. Junto com Moreira Franco, Eliseu Padilha e outros, deverá trabalhar pelo lançamento de uma candidatura das forcas de centro-direita saída desse grupo – nem que seja para engordar seu cacife e se valorizar numa negociação mais à frente com Geraldo Alckmin.

A esta altura, só resta dar parabéns a Eduardo Cunha, que lá da cadeia em Curitiba continua fazendo amigos e influenciando pessoas…

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