De Cantanhêde a Waack, passando por Pondé e suas cachimbadas, os piores da mídia em 2017


Por Zambarda - Num universo pleno de nulidades, eis os jornalistas que, em 2017, prestaram um serviço inestimável para desmoralizar sua própria profissão e uma imprensa já com a credibilidade no lixo.


1. Eliane Cantanhêde

A colunista que mais bajulou Temer (o que foi aquele Roda Viva, pelo amor de Deus?) atravessou 2017 com uma série de lambidelas constrangedoras em possíveis candidatos a destruir Lula.

Em 5 de fevereiro, ela fez uma previsão de Mãe Dinah sobre Temer que tinha o título apropriado de “Agora Vai”. Acabou fondo.

Em maio, apostou em João Doria Jr. como o “anti-lula” e um “tucano diferenciado”, relembrando do apoio do prefeito liderou o furado movimento “Cansei” com celebridades contra o mensalão entre 2005 e 2006.

No mesmo mês, Cantanhêde afirmou que o antagonismo entre Lula e Bolsonaro preparado para 2018 “abre espaço pra um novo Macron”. Com Doria afundado no escândalo da ração humana, ela vai ter que se contentar com Geraldo Alckmin.

Cantanhêde falou que o ex-ministro Guido Mantega iria para o sacrifício como o “novo Dirceu” e torceu pela delação de Antonio Palocci.


Em casa, o marido de Eliane tem medo de perguntar o que tem para o jantar.

2. Augusto Nunes

O menino de Taquaritinga passou o ano todo na Veja e na Rádio Jovem Pan batendo em Lula, a quem chama de “delinquente”, “psicótico” etc.

Jura de pé junto que o ex-presidente usou Marisa Letícia no caso do triplex. A inovação do velho Augusto em 2017 foi uma nova forma de insultar Guilherme Boulos, xingando-o de “revolucionário de galinheiro”.

Seu auge no ano ocorreu numa edição do programa Roda Viva sobre questão racial. Alguém lembrou Augusto que ele nunca chamou negros para entrevistas ou para o papel de entrevistadores. Ele tentou argumentar que já convidou Pelé, mas o rei não topou. Pronto. Augusto é coisa de branco.

3. Merval Pereira

O imortal da Globo está na torcida pelo julgamento de Lula no TRF-4, conforme sua coluna no dia 13 de dezembro. Antes disso, torceu por Luciano Huck presidente, lamentou num número grande de artigos as decisões do PSDB e defendeu todas as reformas de Temer, da trabalhista até a da Previdência.

Desde novembro, Merval Pereira diz que Geraldo Alckmin não tem chance com a “campanha agressiva” de Lula e de Bolsonaro e denuncia “forças anti-Lava Jato”. Talvez o nosso literato não tenha analisado o quanto de estrago foi produzido em cima de decisões judiciais precipitadas e de textos desastrados como os dele.

4. Ricardo Noblat

Depois de perguntar para o amigo Michel Temer como ele conheceu Marcela no Roda Viva em 2016, Noblat produziu certamente a maior barrigada de 2017: disse que Temer tinha decidido renunciar em coluna publicada no dia 18 de maio, logo após a divulgação das gravações com Joesley Batista. 


Noblat não só deu chute do tipo se colar, colou, como foi desmentido numa coletiva presidencial nacional transmitida em TV aberta, consagrando o vexame. Para se afundar mais, o blogueiro de O Globo voltou a exaltar Marcela, por quem nutre uma obsessão de tio esquisito, em 25 de outubro, quando Temer estava internado com problema médico urológico.

5. Reinaldo Azevedo

Alvo de um vazamento “seletivo” de Rodrigo Janot, que divulgou conversas suas com a irmã de Aécio Neves, Andrea, Reinaldão se transformou num crítico pesado da Operação Lava Jato.

Foi demitido da Veja e da Jovem Pan para fincar raízes na RedeTV, na Rádio Bandnews e numa coluna que já tinha no jornal Folha de S.Paulo.

Os antigos antipetistas que liam Reinaldo Azevedo estão indignados com ele, acusando-o de estar a serviço de Lula. Muitos “petralhas” agora o amam. Reinaldo repete apenas repete Gilmar Mendes, seu irmão siamês no Judiciário.

6. Diego Escosteguy

Depois de liderar a torcida organizada da Lava Jato em 2016 dando uma força para a condução coercitiva de Lula, Escosteguy teve um ano complicado.

O editor-chefe da revista Época fez uma entrevista exclusiva com Eduardo Cunha no mês de outubro e disse, no Twitter, que ela não foi feita “na Papuda ou em qualquer complexo prisional”.

Até hoje ele não explicou direito essa história de falar com Cunha fora da cadeia, mas para quem inventou uma entrevista com Joaquim Barbosa, então presidente do STF, isso é fichinha.

Depois de tantos serviços prestados, Escosteguy ainda levou um pé na bunda de seus patrões. Deixará o posto de editor-chefe na revista Época para fazer sabe Deus o quê.

7. Joice Hasselmann

A ativista plagiadora da direta xucra (o termo é do ex-amigo Reinaldo Azevedo) ganhou emprego na Jovem Pan e virou um “fenômeno” no YouTube com um canal em que faz a alegria de milhares de analfabetos funcionais.


Joice fala vagamente de outros nomes da direita, elogiando pontualmente João Doria Jr. e Tasso Jereissati. Mas o candidato dela pra 2018 é mesmo o fascista Jair Bolsonaro. Tudo apoiado pelo guru Olavo de Carvalho.

Seu grande feito foi ser inocentada por um juiz depois de chamar uma senadora petista de “anta”, “gentalha”, “semianalfabeta” e “cretina”.

Até 2019 ela promete revelar de onde vem o inexplicável sotaque carioca, já que nunca passou mais de um feriado prolongado no Rio de Janeiro.

8. Felipe Moura Brasil

O olavete Felipe Moura Brasil, herdeiro do colírio, escreveu em seu blog na Veja, antes de abandonar seu antigo emprego de blogueiro da Veja, que o filme “Moonlight” levou o Oscar de 2017 por atender “valores políticos da Academia”.

Na opinião dele, os cineastas estariam fazendo um estágio em Cuba ou no Foro de São Paulo.

Novo reforço do site de extrema-direita Antagonista, ele diz que existe um “lulismo de Aécio Neves” e que o filme da Lava Jato foi um sucesso absoluto. Felipe é o colírio de seu guru Olavão.

9. Míriam Leitão 

A colunista de economia da Globo defendeu em pleno Ano Novo que o corte de 12 mil vagas em novembro de 2017, logo após a reforma trabalhista, não foi menor do que em 2016.

Além do tradicional malabarismo com números, Míriam Leitão não soube explicar em junho o suposto atentado contra ela perpetrado por militantes petistas num voo.

Conforme apontou Kiko Nogueira no DCM, um vídeo apareceu com meia dúzia de militantes gritando o manjado “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura” quando ela foi reconhecida.

Se Míriam não prestou queixa e mentiu sobre um episódio prosaico desses, imagine o que ela não faz com o noticiário de economia.

10. Thais Herédia

Ex-colunista e comentarista de economia do G1 e da Globo News, Thais defendeu as reformas do governo Temer e chegou a emplacar a lendária frase: “recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem poder de compra aos brasileiros”.


Depois de sete anos no portal de notícias e cinco no canal de TV, foi demitida sem aviso prévio em meio aos cortes da empresa em que trabalha.

A vida é cruel.

11. Rodrigo Constantino

Ex-Veja, Constantino dá suas cacetadas atualmente na falida Istoé e no jornal Gazeta do Povo, aquela publicação do Paraná que criou um site para delatar professores acusados de “doutrinação ideológica”.

Atualmente ele fala que o “patriotismo racional” de Olavo de Carvalho é a solução para o Brasil de 2018. É uma das vozes mais histéricas em prol do governo Donald Trump, seja lá o que isso signifique.

A última dele foi afirmar que o Chewbacca, do filme “Star Wars VIII: Os Últimos Jedi”, havia se tornado “vegano”. Consumir Olavo não faz bem pra saúde mental.

12. William Waack

Uma espécie de Jabor com segundo grau completo, Waack apareceu num vídeo gravado durante a posse de Trump afirmando que o barulho de buzinas em frente à Casa Branca era “coisa de preto”.

Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade e um cinegrafista branco que se declara negro tentaram passar pano no racismo do colega, mas a demissão veio no dia 22 de dezembro de 2017. A boa notícia para ele é que o SBT de Silvio Santos o espera de braços abertos — eventualmente, numa dobradinha com Sheherazade.

13. Nenhuma lista de maiores malas da imprensa fica completa se não tiver Luiz Felipe Pondé, o homem do cachimbo, o filósofo que faz a cabeça de quem não tem cérebro

Pondé brilhou em vários momentos do ano. Em junho, revelou um complô PT-Globo-MP para favorecer Lula em 2018. Sério.

Mas o melhor ficou para depois. Em dezembro, pintou um cenário apocalíptico-lisérgico no caso de uma vitória lulista.

“Desta vez, o projeto ‘a Venezuela é aqui’ se organizará de forma mais concreta”, previu o meninão. “O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da “malta” do PT, servirá ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça”.

Pondé, seu lindo, vai malandro!

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