Temer diz que “denunciar ele é atrasar o Brasil” e anuncia candidatura


Estado de Minas – O presidente Michel Temer (PMDB) comemorou a melhora da avaliação de seu governo na pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 20, pelo Ibope e avaliou que a aprovação só não é melhor em razão das denúncias que sofreu em maio, quando a delação dos empresários da JBS atingiu em cheio o peemedebista.


O resultado da pesquisa, mostrando um aumento de 3% para 6% no porcentual dos entrevistados que julgam o governo como bom ou ótimo, demonstra, segundo Temer, “certo reconhecimento” da melhora na situação do País. “Os dados não foram mais volumosos em função do que essa gente produziu em maio”, comentou durante entrevista para a Bandnews FM, na qual classificou as acusações como uma tentativa de derrubar o presidente da República.

Sem citar o nome do empresário Joesley Batista, da JBS, ou do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, o presidente afirmou que todos os que o acusaram estão sendo desmascarados, sendo que alguns estão presos, como o ex-executivo do frigorífico. Também considerou que as acusações atrapalharam o País, já que a reforma da Previdência seria “tranquilamente” votada em maio. “Isso atrapalhou, mas não parou o País”, afirmou o presidente. Segundo ele, fatos a serem divulgados vão revelar a “inverdade” da denúncia e o prejuízo causado ao Brasil.

Apesar da crise gerada pela delação da JBS, Temer garantiu que não pensou em renunciar. “Se eu tivesse renunciado, seria culpado sem possibilidade de defesa”, afirmou Temer, que disse ter ganhado força e vitalidade “extraordinária” após a divulgação do áudio de sua conversa com Joesley.


Semipresidencialismo

O presidente voltou a afirmar que é favorável a uma adoção do chamado “semipresidencialismo” no Brasil a partir das eleições de 2022, no lugar do presidencialismo. Na entrevista, ele disse que defende um sistema semelhante ao português e ao francês, no qual o presidente eleito indica o primeiro-ministro, que poderia ser derrubado pelo Congresso se não contar com apoio da maioria dos parlamentares.

Para Temer, a troca de sistema daria mais estabilidade ao País, pois, caso o governo não vá bem, quem cai é o primeiro-ministro, não o presidente. “Veja quantos presidentes foram depostos por impeachment”, disse Temer. Sem apoio do Congresso, o primeiro-ministro receberia o chamado “voto de desconfiança”, quando os parlamentares expressam ausência de governabilidade. “A ideia é transferir responsabilidade governamental ao Poder Legislativo”, disse.

Segundo o peemedebista, a ideia é tocar esse projeto após a aprovação da reforma da Previdência e a simplificação do sistema tributário. Ele lembrou que esta é uma mudança que depende de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que poderá ser elaborada ou pelo próprio presidente da República ou pelo Congresso. Ele contou que tem “discutido muito” esse tema com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

(Eduardo Laguna e André Ítalo Rocha)

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