URGENTE! Jornalista americano diz que Moro e Lava Jato servem ao governo dos EUA


Temos o prazer de publicar, em Português, magnífico artigo de Brian Mier no Brasil Wire:


22 de dezembro de 2017. Depois de o neoliberal Sebastian Piñera, apoiado pelos EUA, vencer as eleições presidenciais chilenas em meio a denúncias de corrupção contra a ex-Presidenta Michelle Bachelet (de centro-esquerda), envolvendo a construtora brasileira Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, o Clarín revela que o Departamento de Estado dos EUA admitiu publicamente que está colaborando com a operação. A admissão, da qual o Brazil Wire já suspeitava desde a divulgação de vazamentos do Departamento de Estado em que se mostrava a colaboração dos EUA com o Juiz Sergio Moro desde 2009, foi feita pelo subprocurador-geral Kenneth A. Blanco em um discurso no Conselho do Atlântico em julho de 2017.

Em seu discurso, Blanco diz: “a cooperação entre o Departamento [de Justiça dos EUA] e o Brasil levou a extraordinários resultados. Só no ano passado, por exemplo, a seção de Fraudes da Divisão Criminal e a força-tarefa da Operação Lava Jato cooperaram e coordenaram resoluções em quatro casos ligados a práticas de corrupção em nível internacional: Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht. O caso da Odebretch chama particularmente a atenção, devido à amplitude e ao alcance.


Blanco destaca as acusações contra o ex-Presidente Lula que resultaram em uma condenação de 9 anos e 5 meses de prisão – com recurso ainda pendente – por supostamente receber reformas ilegais em um apartamento que os promotores não conseguiram provar que pertencia a ele ou que ele sequer colocou os pés por lá (como se isso colocasse o Brasil na “linha de frente” entre os países que combatem a corrupção).

A Operação Lava Jato tem sido exaltada na imprensa em inglês como uma investigação contra a corrupção, mas até aqui ela mirou quase que exclusivamente em partidos de centro-esquerda, em toda a América do Sul, enquanto ignora acusações muito mais graves de propina e lavagem de dinheiro contra conservadores, especialmente políticos do PSDB, que foi fortemente apoiado por jornalistas norte-americanos nas eleições presidenciais de 2014. Um artigo da Folha de S. Paulo publicado em 22 de dezembro de 2017 mostra que investigadores ignoraram e mantiveram em segredo mais de metade das evidências levantadas contra a Odebrecht.

Julho, 2017. O ex-Presidente do Peru, Ollanta Humala, de centro-esquerda, é preso sob acusações de corrupção envolvendo a Odebrecht como parte das investigações da Lava Jato. O atual Presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, também de centro-esquerda, enfrentou a ameaça do impeachment a partir da mesma investigação. A Presidenta Dilma Rousseff, de centro-esquerda, sofreu impeachment por cometer uma infração que tecnicamente não justificaria a sua retirada do poder, por não envolver propina ou enriquecimento pessoal. Na véspera das eleições para o Senado da Argentina, Christina Kirchner enfrentou acusações de corrupção por um juiz conservador que era aliado do ex-Presidente Carlos Menem, um neoliberal.


12 de dezembro de 2017, Buenos Aires. Dilma Rousseff e Christina Kirchner se encontram para produzir uma declaração conjunta sobre o uso da Justiça como arma para destruir partidos e candidatos de esquerda, em um processo que elas chamam de Lawfare. “O objetivo é o mesmo no Brasil e na Argentina”, elas dizem, “esconder o desastre econômico que os governos neoliberais impuseram à região”.

O Governo dos Estados Unidos é suspeito quando se trata de corrupção, devido aos seus 70 anos de apoio a governos direitistas corruptos na América Latina, incluindo o do General Rafael Trujillo na República Dominicana, o de Papa Doc Duvailer no Haiti, da Ditadura Militar no Brasil (1954-1985), do General Augusto Pinochet no Chile e, mais recentemente, a imediata legitimação e o financiamento ao Golpe em Honduras (2009-até o momento). O fato de os EUA admitirem publicamente essa colaboração com a Operação Lava Jato, que avança contra governos de esquerda e centro-esquerda, mostra que o verdadeiro objetivo não é combater a corrupção, mas abrir mercados e reduzir impostos para empresas dos EUA operarem na região, preparando o terreno para uma nova geração de líderes neoliberais que vão reabrir as negociações para o Acordo de Livre Comércio na América, o que é fortemente rejeitado pela maioria do povo latino-americano. A admissão de culpa de um importante oficial do Departamento de Justiça dos EUA representa mais uma página em uma longa e horrorosa história de ataques criminosos contra a Democracia e a soberania na região.

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