Após comentário imbecil sobre ditadura no Brasil, Zezé di Camargo é escrachado


Por Ernesto José de Carvalho, o Ernestinho, no Viomundo


Caro Mirosmar, mais conhecido como Zezé de Camargo,acordei hoje e de cara recebi com tristeza sua entrevista, onde o senhor afirma que não houve Ditadura no Brasil e sim uma liberdade vigiada. Deixe-me lhe contar uma história.

Meu pai, assim como você e milhões de brasileiras e brasileiros, veio pra São Paulo atrás de uma vida melhor, também vindo do interior do país, no caso do meu pai e seus quatro irmãos e uma irmã saíram de Muriaé-MG, nos anos 50, todos com idade abaixo de 15 anos.

Também trabalharam na roça pra ajudar no sustento da família (ouvi dizer que também foi seu caso), ao chegar a São Paulo, período ainda da industrialização, passaram a trabalhar no pesado, meu pai Devanir trabalhava como louco de dia e à noite fazia curso para se tornar torneiro mecânico, meus tios Jairo e Joel, gráficos, e o Daniel e Derly, metalúrgicos.


A história deles se confunde com a sua e a de milhões de retirantes até aqui, só até aqui.

Diferentemente de você todos eles passaram a se indignar com o sofrimento vivido pela grande maioria de seus semelhantes, em condições de extrema pobreza causada pela enorme desigualdade social, imposta por uma política escravagista, excludente, elitista e cruel.

No início dos anos 60, todos eles já estavam comprometidos com a construção de uma resistência constitucional via sindicatos de classe, movimentos sociais e partidos políticos — assim como deve ser num estado democrático.

A eleição de 1960 levou à presidência pelo voto direto o Sr. Jânio Quadros e seu Vice João Goulart.


Com a renúncia de Jânio (forças ocultas, lembra?), João Goulart assumiria a presidência em 1961, propondo as reformas de base, Educacional, Política, Agrária e Fiscal, que atenderiam às demandas da população mais vulnerável e desprotegida economicamente.

Por essa razão, unicamente por ela, setores da elite econômica se aliaram aos militares — digo, alguns setores do Exército brasileiro — e passaram a conspirar para que o Vice-Presidente não assumisse o cargo.

Entre 1961 e 31 de Março de 1964, o que se viu no país foi uma sequencia de um jogo antidemocrático, criando uma tensão política insustentável.

Na noite de 31 de Março de 64, tiraram nosso presidente à força do cargo.

A partir daí, para manter o status quo, os militares implementaram uma das mais sanguinárias ditaduras do mundo, caro Zezé.

Perseguiram e mataram seus opositores políticos — como o Deputado Rubens Paiva, preso e morto nos porões da Ditadura — jornalistas como Wladimir Herzog, preso e morto nos porões da ditadura, artistas presos, torturados, banidos do país e muitos assassinados, também nos porões da Ditadura.

Muita gente, mas muita mesmo, de diversos setores da sociedade, resistiu à violência do estado, muitos camponeses assim como meu pai e tios, também resistiram, diferentemente de você, que virou as costas aos seus contemporâneos, à sua gente simples, da roça, que carrega em seus semblantes a pele marcada pelo sol forte do trabalho duro do campo.


Essa gente nunca se esqueceu das belas paisagens do campo, da simplicidade do interior, da solidariedade dos vizinhos, da confiança entre homens e mulheres.

Acima de tudo, eles nunca perderam a dignidade.

Meu pai Devanir José de Carvalho foi preso e torturado até a morte em 5 de Abril de 1971, aos 28 anos; minha mãe foi presa e banida do país aos 25 anos; meu tio Jairo José de Carvalho, preso, torturado e banido do país aos dezessete anos; meu tio Derly José de Carvalho, preso, torturado e banido do país aos 30 anos; meu tio Daniel José de Carvalho capturado aos 26 anos, nunca encontramos seu corpo; meu tio Joel José de Carvalho capturado aos 25 anos, nunca encontramos seu corpo; eu, aos três anos de idade, sai do Brasil clandestinamente com minha mãe, vagando por vários países, fugindo de outras ditaduras e do pavor de sermos capturados pelos senhores que “vigiavam” a sociedade brasileira.

Desculpe, caro Mirosmar, a Ditadura existiu, e foi uma das mais sanguinárias da história recente da humanidade.

Ernesto José de Carvalho

11 de Setembro 2017

Salve Allende!

Comentários

  1. 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

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    1. Não é só ele infelizmente que pensa assim,é impressionante o número de gente mas filas,pedindo a volta da ditadura,e com certeza tendo como ídolo o Bolsonaro,nem da pra discutir o assunto diante da quantidade de pessoas que pensam assim,chega ser desanimador.Eu só fico me perguntando;Onde estavam esses seres alienados?Haveria por acaso um Brasil paralelo?É pra se pensar......

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  2. teve uma velha idiota que disse que ditadura era desculpa de vagabundo que não gosta de trabalhar , se imbecilidade ganhasse "Oscar" holywood era aqui no Brasil !

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  3. Ernesto José de Carvalho. Tudo que fala mostra que tua família era comunista e você também o é. Além disso começou mentindo e inventando sobre Jânio Quadros e João Goulart. Se não fossem os militares lutar contra os comunistas que declararam guerra a estrutura e construir tudo que construíram tendo a maior parte sendo destruída, principalmente o parque industrial, já em 1964 seríamos o que a Venezuela tornou-se hoje e o que a Bolívia está transformando e nós correndo um sério risco.
    Você não viveu o período e quem contou a você não é pessoa racional e dotada de espírito e razão e você não foi buscar e estudar o período, embora pouco é encontrado porque destruíram tudo para voltarmos a ser um país de macacos.
    E os militares vieram a tomar o poder, como já tinha ocorrido em 1930 através dos tenentistas e por extrema necessidade e entregaram para Getúlio Vargas, por imposição do governador de Minas e um General comandante de lá porque os comunistas invadiram Minas para produzir explosivos e atiçaram a população formando u8m inferno no estado. Ante a pressão eles cederam, mas estavam resistindo, como agora que precisamos urgente de uma intervenção militar para voltar a fazer um país de seres humanos porque todas as estatísticas do mundo mostram que somos os últimos em tudo e temos os piores políticos do mundo e menos confiáveis e somos o terceiro mais idiota só ganhando da Índia e do México.
    Nasci na década de 1950 no estado de São Paulo e meu pai era agricultor e vivi na roça até aos vinte e poucos anos quando vim para a cidade e em 1976 ingressei na instituição de fomento estatal que financiou o desenvolvimento do país. Estudei até o primeiro ano de direito morando na roça e sustento a você que os militares tomaram um território de semi selvagens, mais de 80% perdidos na roça, a luz de lamparina, lampião a querosene, carroça com rodas de madeira recobertas com ferro laminado e carro de boi, carros e tratores não existiam, caminhões eram fordões que gemiam na subida e eram raríssimos, o trem onde existia era a maria-fimaça, água era de poço a sarilho ou do córrego, luz a motor a diesel somente em algumas cidades maiores e somente a noite, sistema de água e esgoto nem de sonho, fossa cercada com madeira e coberta com sapé ou o mato e para limpar a bunda sabugo ou ervas.
    -continua -

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    1. - continua -
      Não tinha Banco Central, Casa da Moeda, contabilidade, seguros sociais e INSS, hospitais e médicos, dentistas etc.., anestesia, medicamentos. Mulher grávida era a parteira o atendimento e os demais casos de doenças ervas ou o charlatão, estradas de terra batida com pedras.
      Estou falando do estado de São Paulo que sempre foi uma locomotiva do país.
      O país que tomaram e transformaram tudo, hidelétricas, rodovias, metrôs, expansão da educação de ensino médio e universitário, mecanizou a agricultura, criou um parque industrial invejado até pelos americanos com empresas nacionais e estrangeiras, sendo que as estrangeiras produziam aqui dentro e tinham limites para remessas de lucros e eram transformadas em empresas nacionais filiais e não montadoras como a partir do governo FHC e sonegadoras e livres para remessa de todo lucro. Depois de FHC até chaves de fendas produzimos mais por nós mesmos e elevadores são produzidos fora e vêm em kit para montagem.
      Criaram a EMBRAER e passamos a produzir aviões; fomos um dos primeiros produtores de navios do mundo; desenvolveram a política nuclear, fundamental, e o navio nuclear foi colocado no estaleiro em 1979 e lá apodreceu e FHC, ex marxista e depois fabiano, juntamente com o Itamaraty forçaram o Senado e destruíram o programa quando Ministro do Exterior de Collor, em 1992, ex marxista e depois fabiano, juntamente com o Itamaraty forçaram o Senado e destruíram o programa
      Zezé Di Camargo tem toda a razão não houve ditadura e a liberdade era plena para seres racionais que não roubavam e matavam e não praticavam ideologia e além disso foi o período mais produtivo, rico e desenvolvido de todos os tempos. Foi o período dos industriários. São Bernardo do Campo, por exemplo, terra do Lula e o palco dos socialistas, depois de São Paulo, Capital, era a cidade mais rica do país.
      Tomaram um país de camponeses semi selvagens, evoluíram, desenvolveram o país e o povo e entregaram com 8ª potência do mundo, acima do que estamos hoje, e com um povo, em grande parte, educados pelo espírito e pela razão desde a infância, após isso destruíram a indústria, monopolizaram a agricultura, a pecuária e o hortifrutigranjeiro, transformaram a educação para analfabetos funcionais e politicamente corretos, sem espírito e sem razão que por falta de espírito não sintetizam e argumentam, não desenvolvem, não criam e não inventam e vivem dos sentidos exteriores e da memória como os irracionais e encheram o país de burocratas, tecnocratas, vendedores de ideias e conversas, ideologias assassinas e alienação. E nos poderes bandidos, psicopatas, corruptos ladrões e quadrilheiros, criaturas sem espírito e razão e inférteis dotadas de língua e palato redondos e retórica.
      Triste Brasil! Um território ocupado por criaturas desespiritualizadas, sem razão, sem juízos racionais e sem entendimento vivendo e percebendo pela comparação na memória e pelo instinto.

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