O auxílio moradia do casal Bretas: na Bíblia do juiz não existe o trecho em que Jesus fala de hipocrisia


Por Kiko Nogueira - O juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro, é um evangélico praticante que gosta de citar a Bíblia em suas sentenças.


Bretas postou um versículo no último final de semana.

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e nela medita de dia e de noite.

Bretas precisa meditar e praticar mais.

De acordo com o Painel da Folha, ele foi inquirido pela Ouvidoria da Justiça Federal por receberem, ele e a mulher, Simone Diniz Bretas, auxílio moradia, o que é proibido a casais de juízes que morem juntos.

Como ele conseguiu? Entrando na Justiça com mais quatro colegas.

Na ação, Bretas alegou que que a determinação do conselho fere a Lei da Magistratura e confere tratamento díspar a integrantes da mesma classe. Ganhou.


Recentemente, ele já havia dado uma declaração no Twitter sobre o tema, aparentemente extemporânea, mas que tinha endereço certo, como se vê agora.


O que Bretas faz é, no mínimo, imoral — e especialmente constrangedor para um sujeito que vive de apontar o dedo para os pecados alheios em nome de Deus, numa necessidade de aparecer patológica.

Numa conta conservadora, a União gasta R$ 437 milhões por ano com auxílio-moradia de juízes e procuradores. Em artigo para a Folha, Conrado Hubner Mendes, professor de direito constitucional da USP, fala em R$ 1 bilhão.

A mamata lhe dá uma renda extra de cerca de R$ 10 mil. Outro irmão em Cristo, Deltan Dallagnol, faz especulação imobiliária com o Minha Casa Minha Vida, programa criado para pessoas de baixa renda — o que não é caso do procurador, muito pelo contrário.

Um passagem do Evangelho de Lucas lhes cairia bem.

Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, ao ponto de atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.

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