Documentário que mostra a farsa do impeachment é premiado em Berlim


O filme “O Processo”, documentário de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff, foi premiado no início da tarde deste sábado (24) no Festival de Berlim. O longa ganhou o prêmio de melhor documentário escolhido pelo público na mostra Panorama, a segunda mais importante do evento.


“Quando a gente escolhe um tema pra investigar e fazer um filme, existe um desejo de dividir esse mergulho com o público. E depois, quando o filme fica pronto e recebe um prêmio do júri popular, eu arrisco dizer que talvez seja uma das maiores realizações como diretora. E é muito relevante também pelo filme ser sobre um episódio histórico do Brasil e estar sendo compreendido por audiências de outras latitudes”, disse a diretora ao UOL.

O filme se dedica a esmiuçar o processo político e jurídico que culminou com o afastamento de Dilma do poder, em agosto de 2016. Com imagens de bastidores e trechos de discursos da acusação e da defesa, “O Processo” defende que o impeachment teve motivação sobretudo política, e não apenas jurídica.

“O Processo”, que estreou em Berlim na última quarta-feira sob muitos aplausos ao final e gritos de “Fora, Temer!”, deve estrear no Brasil em junho. A cerimônia de entrega dos prêmios será no domingo à tarde e Maria Augusta estará presente.


A cerimônia com a entrega do Urso de Ouro e demais prêmios da mostra competitiva oficial do evento será a partir das 19h na hora local (15h, no horário de Brasília) deste sábado.

Brasil premiado

Na noite de sexta-feira, o Brasil também saiu vencedor em dois prêmios importantes em Berlim. “Tinta Bruta”, de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon , levou o Teddy Award (específico para filmes de temática LGBT) de melhor longa de ficção e, neste sábado, recebeu o prêmio da Confederação Internacional de Cinema de Arte e Ensaio. Já “Bixa Travesty”, de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla, sobre a cantora Linn da Quebrada, ganhou o Teddy de melhor documentário.


Por sua vez, “Zentralflughafen THF”, um documentário sobre o centro de apoio a refugiados instalado no antigo aeroporto de Tempelhof na capital alemã, recebeu o prêmio Anistia internacional. O filme, uma coprodução franco-alemã, foi dirigido pelo brasileiro Karim Aïnouz, que em 2014 concorreu ao Urso de Ouro na seção oficial do Festival de Berlim com “Praia do Futuro”.

Bruno Ghetti – UOL

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