COMO ASSIM? Delator da Lava Jato escondeu patrimônio no exterior


Do Globo: Um dos principais operadores de propina no esquema de corrupção da Petrobras, réu confesso e delator na Lava-Jato, Zwi Skornicki voltou a entrar no holofote das investigações federais. 


Dessa vez, a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acusam o ex-operador de ter tentado repatriar dinheiro de propina e de ocultar patrimônio usando nomes terceiros. A investigação aponta ainda que Zwi teria “driblado” a força-tarefa da Lava-Jato, em Curitiba, ao deixar de revelar e incluir no acordo de colaboração toda a sua fortuna existente no Brasil e no exterior.

O GLOBO teve acesso com exclusividade os detalhes da investigação da PGFN e da Receita. Também obteve a decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro que determinou o bloqueio de R$ 51 milhões de bens do operador. No dia 17 de fevereiro de 2017, a Justiça determinou o bloqueio de 40 imóveis pertencentes a Zwi, dentre eles mansões na Barra da Tijuca e Angra dos Reis. Mais de 20 carros de luxo e de coleção — como Corvetes, Rolls-Royce e Porches —, além de embarcações e ativos financeiros, também foram declarados indisponíveis.

Entre os bens bloqueados na ação cautelar movida pela PGFN estão R$ 10,1 milhões que o operador tentou repatriar de forma ilícita por meio do Regime Especial de Regularização Cambial (RERCT).


“A estratégia de Zwi foi tentar atrelar sua tentativa de adesão ao RERCT ao acordo de colaboração. Ele incluiu cláusula que excepciona do sigilo imposto ao colaborador informações úteis ou convenientes à regularização e repatriação de bens localizados no exterior que não tenham sido objeto do ressarcimento e pena de perdimento previsto no acordo. Com o acordo de colaboração debaixo do braço, Zwi tentou transformar dinheiro ilícito em bens lícitos“, diz a PGFN.

A Receita e da PGFN alegam que, no acordo de colaboração premiada, Zwi não entregou todo o dinheiro fruto de corrupção que tinha no Brasil e no exterior. A investigação apresentada à Justiça Federal aponta que o ex-operador pretendia incluir no programa de repatriação Federal “valores que não foram objeto de ressarcimento no âmbito da lava-jato e que também são fruto de desvio de dinheiro da Petrobras”. (…)

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