Em ano eleitoral, Lava-Jato poupa políticos do PSDB


O coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, procurador Deltan Dallagnol, concedeu entrevista ao jornalista Ricardo Boechat, da Band.


Ao ser questionado por Boechat sobre as críticas que a operação sofre por proteger políticos do PSDB nas investigações, Dallagnol tergiversou e disse que o número de políticos processados do PP é maior do que os processos que envolvem filiados ao PT.

Boeacht insistiu e questionou Dallagnol mais uma vez sobre quando o Ministério Público começará a pedir punições contra políticos tucanos, como o senador José Serra, que é acusado de receber R$ 23 milhões em uma conta secreta na Suíça, ou o senador Aécio Neves, presidente nacional do partido, acusado pela Odebrecht de receber propina de R$ 50 milhões.

O procurador tentou novamente se justificar: “O PSDB não fazia parte da base aliada do governo do PT. Como o PSDB não fazia parte dessa base aliada, não foram indicadas pessoas do PSDB [para cargos] por exemplo como diretores da Petrobras. Não tem como achar na Petrobras corrupção de um diretor ou presidente até porque não existia diretores do PSDB”.

A resposta titubeante de Dallagnol pressupõe que a Petrobras foi criada pelo PT em 2003. Apenas para ficar em um exemplo, Delcidio do Amaral já era homem forte na estatal brasileira na época do governo FHC.


O ex-senador migrou do PSDB para o PT quando este chegou ao poder com o intuito de manter sua força na Petrobras. Integrantes do PP e PMDB já usufruíam dos esquemas coordenados por Delcídio antes que ele ingressasse no PT.

O filho de Fernando Henrique Cardoso foi beneficiado em esquema na Petrobras. Sobre isso o procurador Dallagnol também não disse nada.

Por fim, a prova da inconsistência da resposta de Dallagnol são as propinas milionárias pagas a Aécio Neves, José Serra e outros integrantes da alta cúpula do PSDB.

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