Lobista do PMDB preso hoje também participava de passeatas pedindo fim da corrupção


Do O Globo: Todas as quartas-feiras à noite, com uma taça de champanhe em uma mão e charuto na outra, Milton de Oliveira Lyra Filho, 45, se sentava na varanda do hotel Emiliano, um dos mais luxuosos de São Paulo. 


Quem queria se encontrar com o lobista, apontado como operador de caciques do PMDB, em especial o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), passava por ali para tomar um drinque com Lyra. De tão habitué que era no hotel, alugou um apartamento no prédio vizinho onde ficava três dias da semana — e até mesmo era servido em casa pelos garçons do Emiliano.

Agora, porém, ele não baterá mais ponto por lá. O lobista foi preso preventivamente nesta quinta-feira — foi um dos alvos da Operação Rizoma, mais um desdobramento da Lava-Jato no Rio de Janeiro que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina para gestores dos fundos de pensão dos Correios (Postalis) e do Serpro, empresa pública de tecnologia da informação.


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Uma nota fiscal de compra de vinhos encontrada pelos investigadores da Lava Jato comprova o padrão de luxo: a aquisição de 13 garrafas a um preço total de US$ 6.700 – mais de R$ 15 mil. São rótulos de Chateau Margaux 1983, Lafite Rotschild de 1989 e até mesmo um Petrus de 1970 — este último o mais caro, no valor de US$ 1.550.

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Membro da comunidade de latinos endinheirados que frequentam o balneário americano, Lyra comprou um apartamento na região de Sunny Isles, considerada menos nobre por estar a uma hora de Miami Beach, declarado por ele no valor de R$ 7 milhões. Segundo um de seus vizinhos, quando estava no mar ordenava ao garçom entrar com taça e garrafa de champanhe para servi-lo.


Com Romero Britto

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