O grande acordo nacional: Cármen Lúcia, que salvou Aécio e tomou chá com Temer, condena Lula



Por Kiko Nogueira - O golpe não ia parar no impeachment de Dilma.


Estava no script de Jucá, com o Supremo, com tudo, que Lula seria retirado da disputa.

Não fazia sentido, depois da a farsa de 2016, que Lula levasse a melhor no julgamento de seu habeas corpus.

Poucas coisas são mais embaraçosas que a fogueira de vaidades do STF.

Rosa Weber selou o destino do ex-presidente com um voto prolixo, supostamente hermético, na verdade confuso para acobertar sua covardia.


Quatro ministros indicados por Dilma votaram contra o chamado “remédio heroico”: o diminuto Fachin, Fux, Barroso (nosso Freddie Mercury de toga) e a supracitada Rosa.

“Em termos de desgaste, a estratégia não poderia ser pior”, disse Marco Aurélio a Cármen, em referência à decisão de colocar em pauta o HC e não as ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs), que discutem o tema de forma genérica, sem um réu específico.

Cármen foi indicação de Lula — e a ela coube o voto de Minerva, saindo como heroína da Globo, ponto alto de uma trajetória marcada pela mediocridade.

Logo de cara anunciou que manteria “coerência com manifestações anteriores”. 6 a 5. Bingo.

Para quem já vinha lambendo as botas da Globo, dobrar-se a um general foi mole.


Há uma justiça poética no ridículo sublime de ser a mesma Cármen que salvou Aécio Neves com um voto que ela admitiu “extremamente conturbado”.

A mesma Cármen que se se encontra com o investigado Michel Temer para tomar chá fora da agenda.

Foi mais uma amostra do apequenamento que, ali, é regra.

Rasgou a Constituição e assim entra para a História.

No Circo Voador, no Rio de Janeiro, no ato em defesa da democracia e contra o fascismo, homenageando Marielle, Lula lembrou Getúlio.

Se ele tivesse em vida “10% do apoio que teve depois de morrer”, falou, “não teria se matado”.

É inevitável pensar que Lula estava, de alguma maneira, fazendo uma auto referência.


Nós vamos cumprir nossa vocação de assistir a tudo passivamente? Sim, ao que tudo indica.

Aristides Lobo é autor de uma frase definitiva sobre esse traço nacional.

Numa carta, escreveu sobre a proclamação da República em 1889: “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”.

O que significa, no atual roteiro cheio de spoilers, é um candidato da direta contra o da extrema direita, já estabelecido, Bolsonaro.

A obra de Carminha não seria possível sem várias participações — inclusive a nossa.

Frente ampla de esquerda já. Ou nos locupletemos todos com Luana Piovani em Portugal.

Comentários

  1. Esse show fazia parte do roteiro estabelecido pelos patrocinadores do grande capital! Todos os nossos atores serão devidamente contemplados com os seus justos cachês ! Agora toda a nação poderá ser saqueada sem grandes contestações. Não haverá reação significativa, todos seremos submetidos a exemplo e a contento!

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  2. Sinceramente me envergonho de um país dominado por Bandidos de Palitó que é pago com o nosso Dinheiro Conseguiram dá o golpe em nós pobres vamos darmos o troco Anulando os nossos Votos meu Voto é Nulo e o seu?

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  3. Nunca vi tamanha asneira num só texto. Um desrespeito à Suprema Corte. Que foi em sua maior parte indicada pelo próprio PT. Um exemplo de instituição que atua com autonomia e de forma escorreita, sem influência de grupos.

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    1. Você é tão covarde quem nem se identifica, típico dos palermas e repugnante com seu discurso idiota de apoio à suprema corte, que de suprema não tem nada, é pequena e vendida e sabe manipular os imbecis como você, se liga pateta, pobre de direita é que nem cachorro de rico, late pra caralho para proteger a mansão e acaba sempre dormindo do lado de fora, se liga seu otário, massa de manobra.

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  4. Carmem Lucia escolhida pelo Lula para o STF, que fez seu trabalho e não achou que devia nada a Lula e o condenou.

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